"713.789
O bom das segundas-feiras, do primeiro dia de cada mês e do Primeiro do Ano é que nos dão a ilusão de que a vida se renova... Que seria de nós se a folhinha estivesse marcando hoje o dia 713.789 da Era Cristã?"
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Ano Novo
Não vou fazer nenhum balanço desse ano que estar acabando, nem listarei projetos para o ano novo. Não sei, mas acho que, de uma forma ou de outra, estamos todos fodidos - frase que ouvir de um personagem de Taxi Driver - ou, então, estamos todos redimidos. Recordo de alguns versos que li em uma das aulas de literatura e que aqui parafraseio: mais um ano, menos um ano. 2010 é um ano que se abre, mais é também um ano que fechará muitas vidas, seja sob a máscara de um vírus ou sob a máscara de um tiro. Não sei o que nos aguarda no próximo ano, na primeira esquina que cruzarmos. Mas creio que ainda vale a última frase de Camus no "Míto de Sísifo": "É preciso imaginar Sísifo feliz". Nesta passagem de ano nos vale ainda alguns versos de Khayyam:
A roda gira, descuidosa
dos árduos cálculos dos sábios.
Renuncia aos teus vãos esforços
De seguir o curso dos astros.
Mas sábio e meditares sobre
esta certeza: morrerás
E não sonharás mais, e os vermes
ou os cães comerão teu cadáver.
É isso, que venha 2010.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Um poeminha de Natal
Natal
Um menino.
Um pequenino menino.
Papai Noel, Papai Noel.
Grita, insistindo.
O homem longa barba branca
olha-o sem carinho
e o deixa ante a porta
sozinho.
Um menino.
Um pequenino menino.
Papai Noel, Papai Noel.
Grita, insistindo.
O homem longa barba branca
olha-o sem carinho
e o deixa ante a porta
sozinho.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Poética
Às vezes escuto vozes antigas
que falam da música esquecida.
Lápis e papel à mão, cato suas cifras.
Às vezes, soam num leve ritmo;
outras, trovejam abismos
ou rabiscam um retrato sobre cinzas.
Feito cego, assim sigo
dançando entre abismos
ou construindo monumentos em ruínas.
que falam da música esquecida.
Lápis e papel à mão, cato suas cifras.
Às vezes, soam num leve ritmo;
outras, trovejam abismos
ou rabiscam um retrato sobre cinzas.
Feito cego, assim sigo
dançando entre abismos
ou construindo monumentos em ruínas.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Leituras no pânico

Inexplicavelmente, há mais ou menos dois meses, vendo sofrendo de uma ansiedade patológica e de transtornos do pânico. Apavora-me a idéia de que a qualquer instante venha a ter um infarto e abandonar esta casca que me veste. Este medo da indesejada das gentes é incontrolável, e vem minando as minhas possibilidades criativas. Não sei de onde vem este pânico, sem que estou aqui de passagem e mais um dia que passa é menos um dos que virão. Meu destino está selado em alguma esquina, carro, ou mesmo em casa. Nasci, todos nascemos, condenado.
Nos intervalos em que tinha alguma disposição para a leitura e para o trabalho, fui fazendo algumas leituras que agudizavam minha dor ao mesmo tempo em que me apontavam uma atitude estóica diante da vida e do mundo.
A primeira dessas leituras foi a do livro do americano Paul Bowles, O céu que nos protege, o livro narra a saga descantada de três americanos - Port, Kit, sua mulher, e Turner, um amigo, pelo deserto do Saara, à procura de um lugar livre dos horrores da Segunda Guerra. A grande questão do livro talvez seja nossa "orfandade" sob esse céu infinito e insondável. Como nos revela algumas imagens do céu escaldante do Saara: "Durante o dia não era apenas o sol que a perseguia do alto do firmamento - o céu inteiro era como uma cúpula metálica, embranquecida de calor" (p. 254).
Sob esse céu que nos protege, Port entrega os pontos, ficando no meio caminho (todos não ficamos?), Kit segue a jornada que a fazbeirar os abismos humanos da insanidade e da visceralidade. Turner parece ser único não muito afetado pelo deserto.
Outra leitura foi a do O ovo de ouro, de Tim Krabbé, uma terrível história de amor de um casal de holandeses, Rex e Saskia. Uma metáfora bela e terrível sobre o amor. Rex e Saskia são enredados numa macabra teia amorosa, armada pelo destino que deixa suas pistas através do sonho do ovo de ouro.
Nos intervalos em que tinha alguma disposição para a leitura e para o trabalho, fui fazendo algumas leituras que agudizavam minha dor ao mesmo tempo em que me apontavam uma atitude estóica diante da vida e do mundo.
A primeira dessas leituras foi a do livro do americano Paul Bowles, O céu que nos protege, o livro narra a saga descantada de três americanos - Port, Kit, sua mulher, e Turner, um amigo, pelo deserto do Saara, à procura de um lugar livre dos horrores da Segunda Guerra. A grande questão do livro talvez seja nossa "orfandade" sob esse céu infinito e insondável. Como nos revela algumas imagens do céu escaldante do Saara: "Durante o dia não era apenas o sol que a perseguia do alto do firmamento - o céu inteiro era como uma cúpula metálica, embranquecida de calor" (p. 254).
Sob esse céu que nos protege, Port entrega os pontos, ficando no meio caminho (todos não ficamos?), Kit segue a jornada que a fazbeirar os abismos humanos da insanidade e da visceralidade. Turner parece ser único não muito afetado pelo deserto.
Outra leitura foi a do O ovo de ouro, de Tim Krabbé, uma terrível história de amor de um casal de holandeses, Rex e Saskia. Uma metáfora bela e terrível sobre o amor. Rex e Saskia são enredados numa macabra teia amorosa, armada pelo destino que deixa suas pistas através do sonho do ovo de ouro.
A terceira, estou começando. Trata-se do Dário íntimo, de Kafka. Como não se assombrar e deleitar com frases assim: "Durmo, desperto, torno a dormir, torno a despertar, miserável existência" (p.17).
[...] Sou de pedra, sou a minha própria lápide tumular, sem qualquer fresta para a dúvida nem para fé, para o amor, nem para a repulsa, para a audácia nem para a angústia, em partiuclar ou em caráter geral; apenas una tênue esperança vive, porém à maneira das inscrições nos túmulos" (p. 28).segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Epitáfio
Quando não mais seja memória,
As folhas de rosto de alguns livros
Terão grafadas teu nome.
E serás só isso:
Um nome grafado num livro
Que as horas, os anos
também apagarão.
As folhas de rosto de alguns livros
Terão grafadas teu nome.
E serás só isso:
Um nome grafado num livro
Que as horas, os anos
também apagarão.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Lembranças
Há dias em que fatos acontecem que parecem já terem acontecido. Dias que seguem cotidianamente, em que você sabe o que tem que fazer como pegar um resultado de seleção para professor e você vê este fato como uma repetição de algo que já aconteceu. Estranha coincidência que você esquece no resto do dia. Outro dia você vê alguém e pensa já tê-lo encontrado nas mesmas circunstâncias. E você nunca o viu. Numa manhã você acorda e pensa já ter acordado nesta mesma manhã: o sol, o dia, os dentes, a creme dental são os mesmos. Você se pergunta se já vivera a sua morte? Você não sabe. Outro dia qualquer você vai à escola – as aulas o esperam. Caminha na mesma rua escura, dois homens acompanham-no. E você sabe o que vai acontecer.
Assinar:
Postagens (Atom)