quinta-feira, 6 de outubro de 2011
A hora dos assassinos
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Poema
sábado, 27 de agosto de 2011
Poema
sábado, 20 de agosto de 2011
Poema
Amanhã iremos partir
P/ o poeta Georgio Rios
Amanhã, amigo, iremos partir.
Eu, para longe da casa de telha-vã.
Tu, em busca da Aldebarã.
Amanhã, amigo, iremos partir.
Tu, para os pastos da alma.
Eu, para a cidade sitiada.
Amanhã, amigo, iremos partir.
Tu, andarilho do tempo.
Eu, entre tantos, correndo.
Amanhã, amigo, iremos partir.
Tu, pelas estradas de teus dedos.
Eu, pelas estradas de meus medos.
Amanhã, amigo, iremos partir.
Tu, apascentando versos.
Eu, extraindo dentes.
Amanhã iremos partir.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Poema
Na casa vazia
No quarto vazio
O espelho
divide a vida
Que notícias nos traz do lado de lá?
O espelho é impassível
Só nos diz do pânico de cá.
domingo, 1 de maio de 2011
Um poema
Essa coisa
Essa coisa áspera
Essa coisa crespa
Essa coisa ácida
Essa coisa vesga
Essa coisa crassa
Essa coisa ego
Essa coisa vaga
Essa coisa sexo
Essa coisa sal
Essa coisa ferro
Essa coisa muda
Essa coisa verbo
Essa coisa que me excede
Numa sexta cinza
Essa coisa não diz quem sou
domingo, 27 de março de 2011
Bosques por onde passeio
O Modus Operandi de uma rica alquimia poética
Georgio Rios é um fatalizado. Essa confirmação me veio com a leitura do seu Modus operandi (2010). Ele desencrava imagens e as enforma na música do verso para cravá-las outra vez no leitor. Ao folhear o livro em busca do inesperado, deparei-me com “Labirinto”, poema que abre a coletânea. O poema revela o trabalho alquímico de Georgio de transformar tudo em música e metáfora:
A humanidade é um vasto jardim,
com suas flores de hastes decepadas.
Tanger as labaredas
e
vagar por
este vasto jardim
Digladiando o imenso
labirinto...
E suas humanas flores
decepadas (p. 17).
Outro poema ferido e que fere com imortal beleza é “Metáfora”. Nele o “fingidor” revela-se uma andarilho numa estrada aberta entre os dedos: Sou o que sou// Sou cais/andarilho de destino comum//Sem tréguas/nem datas//Numa estrada aberta entre meu dedos”. A imagem desse poema envolve de frescor a velha metáfora do homem e do poeta com um caminhante numa estrada que vai do nada ao nada.
“Verdades” nos fere com a imagem do homem em busca do inefável:
Gosto de tudo que não conheço:
Das cores que não sei
Das fotos que não vi
Dos livros que nunca li
Das coisas que não sei
Dos versos que nunca escrevi (p. 22).
Enumeraria outros tantos que me tocaram enquanto leitor. Isso só revela a forma de Georgio de desentranhar a poesia das situações mais cotidianas como revelam os poemas “Hoje é domingo”, “Sábado”, “Meu quarto”, “O retrato dos pássaros na tarde” etc.
Modus operandi, apesar de minha inquietação com o título, revela o modo de operar do poeta Georgios Rios: a alquimia poética que transforma até a escatologia contemporânea em poema como em “Jardins Assustadores”:
As cores lúcidas
em gris transformadas
Cores pálidas
pousando sobre o rosto do homem
ser mambembe
Estamos todos com tinta no rosto
nesta história
Rostos lavados
na chuva suja
E o medo, bailando,
sob o olhar sinistro do fuzil
E estamos andando...
E sorrindo sem saber,
nesta caminhada errante
para o fim das história. (p. 46)
É isso, Georgio Rios é um fatalizado pela expressão poética. A poesia o escolheu para encantar o mundo, para promover o encontro do homem consigo mesmo.