sábado, 20 de agosto de 2011

Poema

Amanhã iremos partir


P/ o poeta Georgio Rios


Amanhã, amigo, iremos partir.

Eu, para longe da casa de telha-vã.

Tu, em busca da Aldebarã.


Amanhã, amigo, iremos partir.

Tu, para os pastos da alma.

Eu, para a cidade sitiada.


Amanhã, amigo, iremos partir.

Tu, andarilho do tempo.

Eu, entre tantos, correndo.


Amanhã, amigo, iremos partir.

Tu, pelas estradas de teus dedos.

Eu, pelas estradas de meus medos.


Amanhã, amigo, iremos partir.

Tu, apascentando versos.

Eu, extraindo dentes.


Amanhã iremos partir.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Poema

Canção e exílio

Na casa vazia
No quarto vazio
O espelho
divide a vida
Que notícias nos traz do lado de lá?
O espelho é impassível
Só nos diz do pânico de cá.

domingo, 1 de maio de 2011

Um poema

Essa coisa


Essa coisa áspera

Essa coisa crespa


Essa coisa ácida

Essa coisa vesga


Essa coisa crassa

Essa coisa ego


Essa coisa vaga

Essa coisa sexo


Essa coisa sal

Essa coisa ferro


Essa coisa muda

Essa coisa verbo


Essa coisa que me excede

Numa sexta cinza


Essa coisa não diz quem sou

domingo, 27 de março de 2011

Bosques por onde passeio

O Modus Operandi de uma rica alquimia poética


Georgio Rios é um fatalizado. Essa confirmação me veio com a leitura do seu Modus operandi (2010). Ele desencrava imagens e as enforma na música do verso para cravá-las outra vez no leitor. Ao folhear o livro em busca do inesperado, deparei-me com “Labirinto”, poema que abre a coletânea. O poema revela o trabalho alquímico de Georgio de transformar tudo em música e metáfora:


A humanidade é um vasto jardim,

com suas flores de hastes decepadas.


Tanger as labaredas

e

vagar por

este vasto jardim


Digladiando o imenso

labirinto...


E suas humanas flores

decepadas (p. 17).


Outro poema ferido e que fere com imortal beleza é “Metáfora”. Nele o “fingidor” revela-se uma andarilho numa estrada aberta entre os dedos: Sou o que sou// Sou cais/andarilho de destino comum//Sem tréguas/nem datas//Numa estrada aberta entre meu dedos”. A imagem desse poema envolve de frescor a velha metáfora do homem e do poeta com um caminhante numa estrada que vai do nada ao nada.


“Verdades” nos fere com a imagem do homem em busca do inefável:


Gosto de tudo que não conheço:


Das cores que não sei

Das fotos que não vi

Dos livros que nunca li


Das coisas que não sei

Dos versos que nunca escrevi (p. 22).


Enumeraria outros tantos que me tocaram enquanto leitor. Isso só revela a forma de Georgio de desentranhar a poesia das situações mais cotidianas como revelam os poemas “Hoje é domingo”, “Sábado”, “Meu quarto”, “O retrato dos pássaros na tarde” etc.


Modus operandi, apesar de minha inquietação com o título, revela o modo de operar do poeta Georgios Rios: a alquimia poética que transforma até a escatologia contemporânea em poema como em “Jardins Assustadores”:


As cores lúcidas

em gris transformadas


Cores pálidas

pousando sobre o rosto do homem

ser mambembe


Estamos todos com tinta no rosto

nesta história


Rostos lavados

na chuva suja


E o medo, bailando,

sob o olhar sinistro do fuzil


E estamos andando...

E sorrindo sem saber,

nesta caminhada errante

para o fim das história. (p. 46)


É isso, Georgio Rios é um fatalizado pela expressão poética. A poesia o escolheu para encantar o mundo, para promover o encontro do homem consigo mesmo.



domingo, 27 de fevereiro de 2011

lantejoulas, paetês e purpurina

Carnaval


vesti a velha roupa de arlequim

e saí pelos mil labirintos da rua

em busca da face tua


a lua, velha prostituta

incitava os lascivos a luta

e Arlequim não encontrava Colombina


menina de véus e fugas

tua ausência fere minha fantasia

e a avenida é puro frenesi


De Arlequim, sigo sozinho

para a quarta-feira de cinzas.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Poema

Monte das oliveiras


Domingo.


Estou só na noite vasta:

Pai afasta de mim este cálice!


Grito perdido na madrugada.


A noite é longa e cheia de pregos.

Sigo só. No Monte das Oliveiras.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Ficção científica ou somente boa ficção

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

FAHRENHEIT, O FIM

Foram três anos de viagens no tempo e no espaço, através de seis portais: Solaris, Neuromancer, Stalker, Fundação, 2001 e Fahrenheit.

Dezenas de autores e contos que mostram que a science fiction brasileira tem futuro, apesar do desprezo dos autores (ou "altores") que supostamente praticam "alta literatura", seus leitores preconceituosos e seus críticos de plantão, sempre vigilantes contra a ampliação do cânone. O que eles não sabem é que Stanislaw Lem e Ray Bradbury, por exemplo, integram o cânone de seus respectivos países. Quem já leu Solaris e As crônicas marcianas sabe por quê.

UMA GRANDE QUEIMA DE LIVROS E REVISTAS FOI PROGRAMADA PARA O FIM DO EVENTO! Com o aval do Nelson de Oliveira, mentor do projeto Portal, que inicialmente disse: "Não, de jeito algum. Eu também gosto muito do Ray Bradbury. Mas, no final do evento, tacar fogo na biblioteca, NÃO! Sem chance, gente. Que ideia!"

Mas, depois: "Tá bom, vocês venceram... Eu levo os coquetéis molotovs..."